sexta-feira, 18 de junho de 2010

Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra

Escrito por Manuela Ventura
PAMPILHOSA

“Dia grande”
para a Misericórdia
da Pampilhosa da Serra

Depois de um processo conturbado, que se arrastou, pelo menos, ao longo dos últimos cinco anos, a Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra celebrou o contrato de consignação para a construção da Unidade de Cuidados Continuados Integrados e Lar de Idosos. «Foi um passo muito importante e o processo é, agora, irreversível», afirma, sem esconder a sua enorme satisfação, o provedor da Santa Casa. António Sérgio diz mesmo que o dia de terça-feira representa um «dia grande» para a instituição, que será certamente superado por um «dia maior ainda», dentro de um ano, altura em que se prevê que estas valências sejam inauguradas.
António Sérgio sublinha a importância fundamental que esta obra tem, a vários níveis, para a Misericórdia, mas também para o concelho da Pampilhosa da Serra. Mais do que «alargar e complementar a oferta de serviços que a Santa Casa já disponibiliza à comunidade», está, no entender do provedor, o facto de serem valências que, de todo, não existiam no concelho e que, como tal, «constituem uma resposta importante que era urgente resolver». António Sérgio aponta a «lista de espera, em termos de lar de idosos, com que a Misericórdia se vê confrontada há bastante tempo» e, a este facto, soma ainda a constatação real de que «não existe, no concelho da Pampilhosa da Serra, uma única unidade de cuidados continuados». Nem mesmo «o novo centro de saúde, cuja construção está prevista, contempla serviço de internamento», faz notar o provedor, que enfatiza a necessidade de uma valência com essa capacidade, tanto mais que se torna evidente que a população residente nos lares existentes necessita, cada vez mais e de forma pertinente, de cuidados continuados integrados.
A dar mais consistência à satisfação do provedor estão, também, as implicações sociais decorrentes da construção e entrada em funcionamento deste novo lar e unidade de cuidados continuados. Isto porque, sublinha, «representa 40 postos de trabalho directos», o que num concelho «com os problemas da Pampilhosa é muito significativo», adianta, sem esconder que a Santa Casa da Misericórdia reforça, com estas novas valências, o estatuto que já possui de «maior entidade empregadora do concelho», o que representa «uma responsabilidade acrescida muito grande».

Investimento
de três milhões
A Unidade de Cuidados Continuados Integrados e Lar de Idosos vai ser erguida junto a outras valências da Misericórdia, no chamado Complexo do Centro Comunitário, e representa um investimento superior a três milhões de euros, sem contar com equipamento, contando com um apoio residual do Estado, no valor de 750 mil euros, resultante de uma candidatura ao Programa Modular do Ministério da Saúde. «O próprio Estado deveria fazer um esforço acrescido para se associar e dar apoio a instituições privadas que, em nome do Estado, procuram dar resposta a zonas onde não existem», aventa António Sérgio, sublinhando que esta estrutura, para além de dar resposta à população da Pampilhosa da Serra, pode, também, servir os concelhos limítrofes, nomeadamente, Góis, Oleiros, Fundão ou Arganil.
A obra, consignada à empresa MRG, Manuel Rodrigues Gouveia, S.A, apresenta-se como um «edifício polivalente», que pretende constituir «uma resposta de excelência», faz questão de enfatizar o provedor, esclarecendo que este edifício «multifunções» vai dedicar o segundo piso aos cuidados continuados, com uma capacidade para 45 camas, sendo o terceiro destinado ao lar de idosos, que possui capacidade para acolher 30 utentes, para além de um piso ocupado com serviços administrativos, cozinha, refeitórios e instalações sanitárias.
Dentro de um ano, a obra deve estar concluída e, na cerimónia de assinatura do contrato de consignação, o provedor deixou um apelo aos responsáveis pela construção, no sentido de «ao longo desta caminhada, todos termos capacidade de comunicar e de ultrapassar possíveis obstáculos que possam surgir», de forma a que, «daqui a um ano, possamos ter a obra concluída e começar a receber as pessoas». E se na terça-feira o dia foi «grande» para o provedor e para a Misericórdia, a data da inauguração será «o dia maior», confessa António Sérgio.

Concretização depois de
cinco anos de “batalha”
A construção do novo lar e da Unidade de Cuidados Continuados constitui um projecto com o qual a Santa Casa se “debate” há alguns anos. «Seguramente mais de cinco anos», refere o provedor, recordando que o projecto chegou a ser candidatado, por duas vezes, ao Programa PARES e em ambas as situações foi “reprovado”, facto que condicionou e adiou a sua concretização, que só agora se tornou viável.
E esta é mais uma infra-estrutura que vem alargar o leque, já bastante lato, de oferta da Misericórdia da Pampilhosa que, sublinha o provedor, actualmente dá apoio a quatro centenas de utentes, distribuídos pelas valências de lar, creche, jardim-de-infância, centro de dia e serviço de apoio domiciliário e possui um total de 140 funcionários.
Para além da sede do concelho, onde também tem em funcionamento o serviço de Reabilitação e Fisioterapia, a Santa Casa têm valências espalhadas pelo concelho, vocacionadas especialmente para as áreas de centro de dia e apoio domiciliário, nas freguesias de Cabril, Fajão, Machio, Porto de Vacas e Pessegueiro.

Diário de Coimbra

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