terça-feira, 17 de novembro de 2009

Santa Casa da Misericórdia de Braga

Misericórdia vai oferecer refeições

Braga
2009-11-17
autor: José Paulo Silva

A Santa Casa da Misericórdia de Braga fornecerá, a partir do próximo ano, entre 20 a 30 refeições gratuitas por dia a pessoas carenciadas do concelho. O projecto da cantina social é uma das prioridades do plano de actividades da instituição para 2010, recentemente aprovado.
O provedor da Misericórdia, Bernardo Reis, adiantou ao ‘Correio do Minho’ que a futura cantina fornecerá almoços a pessoas comprovadamente ‘carenciadas ou fragilizadas no contexto social’.

A entrada em funcionamento de um serviço de alimentações grátis é vista pela actual mesa administrativa da Santa Casa bracarense como prioridade, face ao agravamento da situação sócio-económica de muitas famílias e indivíduos.
O Lar de 3ª Idade de Santa Tecla ou um dos imóveis que aquela instituição tem dispo-níveis no Bairro da Misericórdia são as duas localizações possíveis para a instalação da cantina social durante o primeiro semestre do próximo ano.

A mesa administrativa conta para já com a disponibilidade de empresas do concelho para o estabelecimento de parcerias ou de acordos de mecenato que viabilizem o funcionamento da cantina social, valência para a qual a Misericórdia vai solicitar comparticipação financeira da Segurança Social.

Bernardo Reis admite aumentar a capacidade de resposta da cantina social, caso os apoios mecenáticos assim o permitirem.
A mesa administrativa projecta a constituição de uma equipa de voluntários que apoiará os funcionários da Misericórdia no funcionamento da cantina social.

Atenção aos ‘novos pobres’

‘O nosso objectivo é fornecer refeições gratuitas a pessoas com dificuldades, sejam os pobres tradicionais, sejam os novos pobres, a chamada pobreza envergonhada’, refere o provedor da Santa Casa.
Este responsável aponta muitos casos de carência alimentar de que são vítimas pessoas que foram confrontadas, de forma mais ou menos inesperada, com situações de desemprego ou de insuficiência económica.

A selecção dos beneficiários do apoio alimentar será feita através da recolha de informações junto das paróquias e de outras ent idades, para além de uma ‘investigação preliminar sobre as reais necessidades das pessoas’ que a própria Misericórdia realizará.
Para o projecto da cantina social a mesa administrativa canalizará parte dos 700.670 euros previstos no orçamento de 2010 na rubrica de investimentos.

Caso a opção para a localização da cantina social seja o Lar de S.Tecla, aproveitar-se-á estruturas já existentes, concretamente a cozinha que serve aquela valência de apoio à terceira idade. A escolha de um imóvel do Bairro da Misericórdia obrigará a obras mais significativas.

Provedores discutem com arcebispo respostas à crise

No actual cenário de crise económica e social, algumas Santas Casas de Misericórdia estão de novo a ‘dar de comer a quem tem fome’, um dos objectivos que estiveram na base da criação destas instituições de assistência social há 500 anos.
Para além de Braga, também a Santa Casa de Misericórdia de Vila Verde anunciou recentemente a intenção de criar uma cantina ou refeitório social para o fornecimento de refeições, neste caso a preço de custo.

Para analisar este e outro tipo de respostas às situações de carência social e de fragilidade económica, os provedores das Santas Casas da Arquidiocese reúnem, dia 5 de Dezembro, com o arcebispo primaz de Braga, D. Jorge Ortiga. No encontro participa também o presidente do secretariado nacional da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos.

Criação de emprego

Bernardo Reis, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, destaca o facto de a instituição ter criado, este ano, dez novos postos de trabalho na actual conjuntura de crise.
Metade dos novos colaboradores foram contratados para a implementação do Contrato Local de Desenvolvimento Social, tendo sido reforçado também o quadro de pessoal das valências da instituição.

‘A instituição vai continuar a fazer uma forte aposta na formação e requalificação da mão- -de-obra e, apesar da crise, tem vindo a substituir, com qualidade, os trabalhadores reformados e criado novos postos de trabalho’, destaca o provedor.

Correio do Minho

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